quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Apesar da recuperação de alguns indicadores, atividade da Construção mantém-se em terreno negativo

A análise de conjuntura da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP) relativa ao mês de novembro aponta para uma manutenção da tendência de recuperação das opiniões dos empresários da Construção, embora os índices de que os mesmos fazem eco persistam em níveis extremamente reduzidos.

Neste contexto, e a par da recuperação homóloga consecutiva, nos últimos quatro meses, do Indicador de Confiança e do Índice do Nível de Atividade, o Índice relativo à Carteira de Encomendas registou, nos últimos dois meses e depois de 18 meses em queda, uma variação positiva.


O documento avança também uma recuperação da atividade assegurada pelas empresas nos últimos 12 meses no segmento Não Residencial, que contrasta com um forte decréscimo na área Residencial, e uma estabilização nas Obras Públicas.

Em sentido contrário, salienta-se a quebra acumulada, desde o início do ano e até outubro, de 25,2% do consumo do cimento, o que torna expectável o alcance de um novo mínimo histórico, depois do obtido em 2012 e que é até à data o pior dos últimos 39 anos.

No que diz respeito ao emprego no Setor, o destaque vai para o facto de a Construção ter assegurado, no terceiro trimestre de 2013, 288.900 postos de trabalho, menos 66.800 que em igual período do ano anterior. Contudo, em termos acumulados desde 2002, foram eliminados 319.693 empregos na atividade, o que traduz uma redução de 53% da força de trabalho do Setor.

Já o desemprego oriundo da Construção verificou, em outubro e pelo oitavo mês consecutivo, uma diminuição homóloga de 6,6%, tendo o número de desempregados passado de 100.141, em 2012, para 93.493, em 2013. Para tal terão contribuído, entre outros fatores, a emigração, as aposentações e as perdas de subsídio de desemprego. Até final de outubro foram adjudicadas obras públicas no valor de 775,8 milhões de euros, o que traduz uma quebra de 27,8% face aos mil milhões adjudicados há um ano atrás.

O valor dos concursos abertos subiu, no entanto, ligeiramente (1,6%) em termos homólogos, de 1.497 milhões de euros para 1.536 milhões. De janeiro a setembro do corrente ano, foram emitidas apenas 6.948 licenças de construção, ou seja, -29,6% em termos homólogos acumulados. A redução é ainda mais acentuada na construção de habitação nova, com uma quebra de 35,3% dos fogos licenciados.

Contudo, verifica-se no 3º trimestre, e pela primeira vez desde o 2º trimestre de 2010, um aumento homólogo de 6,3% no número de fogos licenciados. Relativamente aos edifícios Não Residenciais verifica-se, nos primeiros nove meses do ano, uma ligeira quebra homóloga, de 2,9%, da área licenciada, sendo de destacar a redução da área licenciada em edifícios não mercantis e comerciais e uma subida dos edifícios destinados ao turismo e à agricultura.

Fonte: FEPICOP