quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Investidores interessados em arriscar mais no imobiliário comercial

Segundo os mais recentes dados da CBRE, os investidores em imobiliário comercial estão a mostrar mais interesse pela assunção de risco na Europa, verificando-se um crescimento generalizado com a recuperação da Irlanda e Espanha a ganhar ritmo.

A tendência de aumento do investimento em imobiliário comercial que tem surgido na Europa ao longo deste ano manteve-se no terceiro trimestre de 2013.

O investimento total atingiu 35,7 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2013, uma subida de 21% face ao trimestre homólogo do ano anterior.


Impulsionado por melhores condições económicas e maior interesse dos investidores, o crescimento significativo da atividade transacional imobiliária é evidente nos mercados em recuperação da Europa, nomeadamente Espanha e Irlanda. Nos últimos dezoito meses, a Irlanda, em particular, registou um aumento significativo dos níveis de investimento.

No terceiro trimestre de 2013, a Irlanda viu o investimento atingir 462 milhões de euros, face a apenas 102 milhões de euros no mesmo trimestre do ano passado, com os últimos 12 meses a registarem transações no valor de 1,33 mil milhões de euros. Com 1,321 milhões de euros em transações realizadas no terceiro trimestre de 2013, o investimento em Espanha correspondeu a mais do dobro do nível verificado no terceiro trimestre de 2012, que se cifrou em 531 milhões de euros.

Marie Hunt, Executive Director do Departamento de Research da CBRE Irlanda, comenta: “O volume da atividade no mercado imobiliário comercial irlandês em 2013 surpreendeu muita gente, com montantes que mais do que triplicaram em variação homóloga, dado que o processo de desalavancagem retomou o ritmo para responder à procura de oportunidades de negócio por parte dos investidores.

É expectável que em 2014 se mantenha uma tendência semelhante, dado que os bancos, tomadores de empréstimos e a NAMA continuam a trazer ativos para o mercado e alguns dos imóveis vendidos nos últimos anos por via de venda de empréstimos começam a ser liquidados".

Os mercados core de investimento do Reino Unido, Alemanha e França mantiveram-se dominantes no terceiro trimestre de 2013. A atividade imobiliária comercial no Reino Unido alcançou níveis que não se verificavam desde 2007, com mais de 14 mil milhões de euros em transações no terceiro trimestre de 2013, face a 11,4 mil milhões de euros no segundo trimestre de 2013. França também registou um aumento significativo nos níveis de investimento em termos trimestrais, com o terceiro trimestre a registar 4,6 mil milhões de euros, mais mil milhões do que o segundo trimestre de 2013.

Jonathan Hull, Diretor do Departamento de Capital Markets da região EMEA da CBRE, comenta: “A Europa teve um terceiro trimestre impressionante em termos de investimento e esta tendência deverá manter-se no último trimestre de 2013. Ao mesmo tempo que os mercados core se mantêm fortes, com o Reino Unido a mostrar níveis de investimento notáveis no terceiro trimestre, os níveis de confiança continuam a aumentar nos mercados em recuperação da Europa, como Irlanda e Espanha. Na comunidade de investimento imobiliário há mais interesse pelo risco, com muitos grupos de private equity a procurar oportunidades com elevada rendibilidade”.

Com o imobiliário secundário a tornar-se mais atrativo para os investidores, a procura deste segmento do mercado começou a refletir-se nos números do imobiliário do Reino Unido. Embora o desempenho dos escritórios da zona central de Londres, depois da crise financeira, tenha sido superior ao resto do mercado, por uma margem substancial, nos três últimos meses os mercados de escritórios periféricos mostraram um desempenho muito forte.

Em termos de valores do capital, os escritórios na zona de Outer London/M25 registaram uma subida média de 3,4% (uma taxa anualizada de 14,2% por ano) nos últimos três meses, tornando-se no segmento do mercado com o crescimento mais acelerado no Índice Mensal da CBRE. Atualmente, o Reino Unido regista um crescimento económico mais forte do que no resto da Europa. Contudo, não é expectável que esta tendência de melhoria de desempenho em mercados não principais se estenda à restante Europa no curto prazo.

Fonte: CBRE