quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

André Almada: 'Sem dúvida que os sinais são positivos'

Segundo o mais recente inquérito anual da consultora imobiliária CBRE, European Occupier Survey, os decisores corporate estão a reagir aos sinais de melhoria económica por toda a Europa, transferindo a sua concentração na pura gestão de custos para oportunidades de crescimento futuro.

O inquérito, realizado pelo quarto ano, consulta decisores no âmbito do imobiliário em empresas multinacionais que conjuntamente ocupam uma área de cerca de 250 milhões de metros quadrados em todo o mundo. 

O inquérito mostra o aumento da confiança das empresas na recuperação económica, com menos de metade dos inquiridos [46%] a identificar as economias frágeis como uma preocupação. Em 2012 a esmagadora maioria [70%], identificou o panorama económico incerto na Europa como um fator fundamental para a sua estratégia imobiliária, tendo como principal objetivo a gestão de custos.

Apesar dos referidos sinais positivos, o controlo de custos mantém-se uma prioridade para as empresas. O estudo mostra que praticamente três quartos [72%] dos inquiridos renegociaram contratos de arrendamento nos últimos doze meses [face a 45% em 2012], de forma a "assegurar" acordos enquanto as rendas de escritórios se encontram provavelmente, no ponto mais baixo do mercado. Contudo, esta pressão para reduzir custos deverá diminuir com a continuação da recuperação.

Paralelamente, 61% das empresas referiram que tinham reduzido a sua presença imobiliária através de uma ocupação do espaço mais eficaz. A otimização do espaço é cada vez mais importante para as empresas devido ao exercício de equilíbrio entre economia de custos (referida por 56% dos inquiridos como um fator determinante na estratégia de selecção de locais de trabalho) e a disponibilização de um ambiente de trabalho interactivo (39%), com o objetivo de aumentar a produtividade dos colaboradores (37%).

Por conseguinte, é interessante verificar que a larga maioria das empresas não está a adotar estratégias de trabalho remoto, com 75% a referir que menos de um quarto dos colaboradores trabalha regularmente de forma flexível. Isto indica que o ambiente de escritório ainda é fundamental, o que explica a importância atribuída à melhoria da qualidade do local de trabalho.

Estes factores, levam as empresas a privilegiar a disponibilização do ambiente certo nas localizações certas para os seus colaboradores. Apesar do custo constituir o fator fundamental para as empresas na escolha de espaços de escritórios [mencionado por 85%], 45% das empresas referiram que consideram a qualidade da área de trabalho um fator essencial para atrair e reter talentos.

Já 73%, consideram que a acessibilidade a transportes públicos é importante para os colaboradores, assim como a disponibilização de comodidades, como um ginásio ou restaurantes no local [49%] que proporcionem opções de lifestyle aos colaboradores, e áreas de trabalho flexíveis [48%].

Com a melhoria do panorama económico, as empresas multinacionais estão a demonstrar maior interesse na expansão internacional para novos mercados. O inquérito demonstra-o, com mais de metade das empresas [56%] a identificar o acesso a novos mercados e clientes como o motor fundamental para decisões de localização. Este amplo interesse na expansão vê a Índia e África emergirem como destinos de eleição.

Quando convidados a identificar os destinos para onde pretendem expandir as operações, 48% indicaram Índia (o dobro do número de 2012), com a China a ser referida por 42%, uma descida face a 60% em 2012. Registou-se ainda um aumento significativo do número de empresas que tencionam expandir para África. Este mercado-alvo é agora identificado por um terço dos inquiridos, versus um quinto em 2012. No caso da Índia e África, o rápido crescimento populacional e económico, juntamente com o aumento da transparência e a melhoria das infraestruturas, está a eliminar muitos dos tradicionais obstáculos à entrada.

Mark Caskey, Diretor do Departamento de Global Corporate Services da região EMEA da CBRE, comenta: “À medida que avançamos para uma fase de recuperação económica, é evidente que os ocupantes começam a olhar para além das iniciativas de pura economia de custos. A curto prazo, deverá prevalecer uma atitude generalizada de economia de custos. Contudo, é encorajador observar que as empresas estão a procurar novos destinos-alvo e a adotar estratégias de locais de trabalho cada vez mais sofisticadas.

Em particular, a crescente influência e concentração em estratégias de locais de trabalho foi um tema central em todos os nossos resultados. É evidente que as empresas estão a perceber e a registar que os ambientes de trabalho ideais geram maior produtividade dos colaboradores e permitem atrair e reter os melhores talentos. Além do mais, as despesas com a força de trabalho são mais elevadas do que os custos imobiliários. Consequentemente, o aumento da produtividade tem um impacto maior na rentabilidade das empresas. Esta tendência deverá continuar no próximo ano e nos seguintes”.

Richard Holberton, Diretor do Departamento de Research da região EMEA da CBRE, comenta: “Embora os objetivos financeiros continuem a dominar o panorama dos ocupantes corporate, há um desejo cada vez maior de olhar para o futuro. Um futuro onde se perspectiva um maior alinhamento entre os serviços imobiliários e os objetivos de negócios mais abrangentes”.

Portugal. André Almada, Director Sénior de Agência de Escritórios, Comércio, Industrial e Logística da CBRE Portugal, comenta: “Sem dúvida que os sinais positivos dos últimos trimestres de 2013 são animadores, contudo, o mercado de escritórios exclusivamente induzido pelas empresas, não reage automaticamente.

Temos a expectativa de que, mantendo-se a tendência positiva do final do ano anterior com dados macroeconómicos consistentes, possamos assistir no segundo semestre, a uma dinâmica crescente do mercado de escritórios

E acrescenta: “Com base no visível crescimento desde 2012 de centros de serviços partilhados (“shared services”, “BPO business process outsourcing” e call centres) e dada a conjuntura atual do país (excesso de mão de obra qualificada, leis laborais cada vez mais flexíveis, entre outros), tudo indica que este formato de negócio poderá continuar a aumentar em 2014. Caso se verifique esta tendência, poderemos vir assistir a uma escassez de oferta adequada. Este perfil de negócio requer normalmente edifícios tecnicamente evoluídos, espaços de grande dimensão, com bons acessos a transporte públicos, e este tipo de oferta, em consequência da quase inexistência de nova construção nos últimos anos, começa a escassear.”



Fonte: CBRE