segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Nem tudo está em saldos

Na ressaca das festas do Natal, do Fim de Ano e dos Reis aparece a primeira grande época de saldos, mas nem tudo pode, racionalmente, entrar na velocidade das sextas feiras negras de algumas grandes superfícies comerciais.

O património imobiliário português não pode diminuir-se em nome da urgência que possamos ter, proprietários e mediadores imobiliários, em transformar essa riqueza tão duramente adquirida em liquidez efectiva.

Temos, cada vez mais, que resistir à tentação de incentivarmos e de aceitarmos desvalorizações injustificadas do património construído, como se a propriedade perdesse valor a cada transação.

Num contexto de falta de liquidez para famílias e empresas não falta quem, mesmo neste mercado, lance a ideia das vendas ao desbarato, em desespero de causa e sem tentar uma transação a preços equilibrados.

É bom recordar que, com a construção de novo em baixa, o mercado imobiliário vai voltando, lentamente, aos valores normais, num regresso que será tanto mais rápido quanto menos cedermos à ideia das casas em saldo.

O mercado imobiliário não é um mercado de aparelhos informáticos topo de gama, sempre em vésperas de serem descontinuados. As casas não são descontinuadas, renovam-se pela reabilitação e devem transacionar-se a preços justos.

Sob pena de desvalorizarmos todo o património, mesmo o que não está à venda, destruindo a médio prazo o próprio mercado e o seu futuro, na ilusão de uma liquidez apenas momentânea.

Este pecado, instalado no coração do mercado imobiliário, é um dos principais óbices à própria recuperação deste sector. Que 2014 nos guarde desses saldos.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP

Fonte: Apemip