quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Construção termina 2013 com nova queda de 15%

O setor da Construção voltou a cair em 2013, pelo décimo segundo ano consecutivo, estimando-se que a produção da atividade tenha registado uma queda global de 15%, em resultado de uma redução de 18% no segmento Residencial, de 13,8% no Não Residencial e de 14% nas Obras Públicas.

A melhoria, de resto, ligeira, observada nos últimos seis meses do ano, quer no investimento em construção, quer no VAB do Setor, e que terá influenciado positivamente a confiança dos empresários, não foi, pois, suficiente para atenuar os efeitos nocivos do primeiro semestre na atividade.

De acordo com a mais recente análise de conjuntura da FEPICOP- Federação Portuguesa da Indústria da Construção, no segundo semestre de 2013, os empresários mostraram-se um pouco mais confiantes quanto ao nível da atividade e perspetivas de emprego.


No entanto, a sua posição face à carteira de encomendas é distinta, consoante se trate do segmento da Habitação, onde se continuam a registar quebras significativas, ou da área da Engenharia Civil e Construção Não Residencial, onde se assiste a uma recuperação face aos mínimos registados primeiros três meses de 2013. Em geral, persistiram no ano findo os diversos fatores que influem negativamente o andamento da atividade da Construção.

Em novembro, o crédito às empresas de construção registava uma quebra homóloga de 14,9%, recuando para os níveis registados 2003, e o mal parado no Setor, de 4,3 mil milhões de euros, representava cerca de 34,9% dos incobráveis de toda a economia nacional. Também o crédito à habitação apresentava uma redução, relativamente ao mesmo mês de 2012, de 3,5%.

Por outro lado, em dezembro último, o desemprego oriundo do Setor terá diminuído, em termos homólogos, 10,9%, tendo passado de 105.636 desempregados para 94.114. O peso da Construção no número de desempregados também terá abrandado, passando de 16,2% para 15,2% no total nacional, uma situação que contrasta com o peso do setor no emprego, o qual se situa em apenas 6,3%.

As licenças de construção habitacional nova caíram, em termos homólogos até novembro, 30% e as destinadas à reabilitação, 22%, tendo sido licenciados menos 3.554 fogos em habitações novas nos primeiro 11 meses de 2013, que no mesmo período de 2012. Entre janeiro e outubro de 2013, foram licenciados menos 118 mil m2 (- 6,6%) de área não residencial que em igual período do ano anterior.

Em contrapartida, a área licenciada aumentou nos edifícios destinados aos transportes e comunicações (79%), turismo (44,6%) e agricultura e pescas (27%). Por fim, no mercado das Obras Públicas, foram abertos, em 2013, 1.856 concursos, no valor de 1.734,3 milhões de euros, o que traduz um ligeiro aumento (de 38,4 milhões de euros) face ao valor dos procedimentos abertos em 2012. Já o valor dos concursos públicos adjudicados em 2013 foi significativamente inferior (-20% em termos homólogos) ao dos adjudicados em 2012.

Fonte: Fepicop