quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Marta Esteves Costa: 'É expectável que as rendas prime continuem sob pressão'

De acordo com o estudo Office Space Across the World publicado anualmente pela Cushman & Wakefield (C&W), o West End em Londres é a localização de escritórios mais cara do mundo pelo segundo ano consecutivo, consolidando a sua posição em relação a Hong Kong que ocupa desde o ano passado o segundo lugar do ranking.

Caracterizada por uma forte procura aliada à diminuição da oferta de espaços de escritórios de qualidade, a zona do West End em Londres assistiu a um aumento de 5% nas rendas em 2013.

Por seu lado, o valor das rendas em Hong Kong Central manteve-se praticamente inalterado o que aumentou ainda mais a diferença entre as duas cidades.



“Londres continua a ser uma localização muito atrativa para as empresas internacionais. Existem cada vez menos espaços premium disponíveis na zona do West End e assiste-se a uma grande procura de escritórios em todos os sectores, o que permite antecipar um novo aumento nas rendas em 2014”, afirma Marta Esteves Costa, associate e diretora de research e consultoria da C&W em Portugal.

A nível global, as rendas de escritórios aumentaram 3%, confirmando a tendência dos últimos 3 anos. No entanto, em alguns casos como em África e no Médio Oriente, registou-se uma maior atividade no mercado, com as rendas prime a subirem 10%.

EMEA. A escassez de escritórios de qualidade disponíveis caracterizou alguns mercados na Europa, como Londres e Frankfurt, que assistiram igualmente a um aumento na procura durante o ano, o que resultou numa pressão acrescida no preço das rendas prime. As rendas aumentaram na ordem dos 3% a nível regional o que representa a maior subida desde o início da crise económica em 2008.

O maior aumento na região EMEA foi claramente no Médio Oriente e em África onde o preço das rendas registou um aumento de 14%, tendo sido a África do Sul a registar o maior aumento das rendas prime, cerca de 30%. O mercado sul-africano assistiu a um aumento notável de grandes transações ao longo do ano caracterizando dessa forma um mercado ocupacional particularmente ativo.

“Olhando de uma forma geral para a região EMEA, é expectável que a escassez generalizada de espaços de qualidade disponíveis leve a um aumento da atividade dos ocupantes, de forma a garantirem negócios seguros no pouco espaço de qualidade que continua disponível. Com poucos projetos novos previstos até ao final do ano de 2014, é também expectável que as rendas prime continuem sob pressão”, comentou Marta Esteves Costa.

Em Portugal os valores praticados no prime CBD (Avenida da Liberdade, Lisboa) mantiveram-se inalterados face ao ano anterior, tendo o país descido um lugar no ranking, ocupando agora a 49ª posição.

O reduzido volume de espaços transacionados no mercado, ainda que não acompanhado por um aumento da taxa de desocupação, provocou uma quebra nas rendas médias. Paralelamente verificou-se também uma maior disponibilidade por parte dos proprietários para a cedência de incentivos tais como carência de rendas ou contribuições para custos de relocalização.

Segundo Marta Esteves Costa, “Para 2014, prevê-se que a recuperação da conjuntura económica nacional venha a ter um impacto positivo na procura de escritórios, sustentado por um maior movimento no mercado. Relativamente às rendas, antecipa-se ainda assim, uma manutenção das mesmas durante o próximo ano.”

Continente Americano. Depois de uma expansão notável de dois dígitos no ano de 2012, em média as rendas prime no continente americano registaram um crescimento de apenas 1% em 2013.

A performance das rendas na América do Sul foi pouco acentuada, muito devido ao crescimento pouco significativo em mercados chave como o Brasil e a Argentina. A incerteza económica que tem caracterizado estes dois mercados levou a um decréscimo na procura por parte de arrendatários e a uma queda no preço das rendas prime ao longo do ano.

Em 2013, os Estado Unidos da América assistiram a uma grande atividade no mercado de arrendamento de escritórios, com a confiança das empresas a aumentar progressivamente. No entanto, o desempenho das rendas foi diferente de localização para localização, com Nova Iorque e Boston a destacarem-se de outras cidades. As previsões para 2014 indicam que os Estados Unidos devem continuar a assistir a um aumento nos níveis de rendas o que deve resultar num crescimento regional generalizado para este ano.

Ásia Pacífico. O aumento no preço das rendas na região Asia Pacifico foi reduzido, registando-se um crescimento a nível regional de apenas 2% ao longo do ano. As condições económicas na primeira metade do ano foram mais frágeis, embora se tenha assistido a um aumento progressivo das rendas em mercados chave como o Japão e a China.

No entanto, a região está bem representada no que toca às localizações mais caras a nível global. Hong Kong continua a ser a segunda localização mais cara do mundo, Pequim é a quarta e Tóquio a quinta. É expectável que a performance da região no ano de 2014 seja muito similar à de 2013, com uma procura pouco significativa e antecipando-se por isso uma estagnação no preço das rendas.

Para o ano de 2014 espera-se que a região recupere moderadamente do decréscimo económico de 2013 e que a procura de escritórios seja maior em toda a região. É igualmente expectável que as economias chave como a China e o Japão sirvam de alavanca para o resto da região, com a procura por espaços de escritórios a aumentar particularmente nestes países ao longo do ano.

Fonte: Cushman & Wakefield