segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

(Re)vistos

Os vistos de residência gold foram revistos em alta, como, modéstia à parte, vinha prevendo, sublinhando as enormes potencialidades deste programa de captação de investimento externo, também para o imobiliário, mas não podem ser vistos, exclusivamente, como o negócio da China.

Só nas três primeiras semanas de Janeiro, como revelou publicamente o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Rui Machete, Portugal concedeu mais 49 vistos «gold», passaportes que, no seu conjunto, traduzem-se num volume de investimento de 27 milhões de euros no país.

Os 470 vistos concedidos em 2013 para investidores estrangeiros interessados em Portugal “renderam” a entrada de 300 milhões de euros. São, na sua maioria, chineses mas também há investidores da Rússia, do Brasil, de Angola e da Africa do Sul, para citar, por ordem os países mais representados nesta lista.

O turismo, nomeadamente o turismo residencial e o turismo sénior assistido, serão mercados na mira destes investidores, o que justifica o protocolo assinado entre departamentos do Estado para agilizar, entre nós, a emissão de vistos que abram a porta a novos turistas com potencial de investimento.

A importância desta estratégia de internacionalização é tal que aquela colaboração estreita entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Economia mereceu a pompa e circunstância da assinatura de um protocolo com a presença de dois ministros, Rui Machete e António Pires de Lima, e ainda do secretário de Estado da Administração Interna, João Almeida, cujo Ministério é parte interessada pela via da segurança e do controlo de fronteiras.

Pretende-se, na prática, promover o nosso turismo em mercados com interesse estratégico nesta área, no caso em apreço pela consagração legal da partilha dos meios técnicos e humanos do Turismo de Portugal por quem incrementa a nossa «agenda de diplomacia económica», solução que, como dirigente do associativismo empresarial, sempre defendi como desejável.

Tudo isto é louvável e de aplaudir desde que não se limite a ser apenas um “negocio da China”, mesmo considerando que este mercado emite mais de 83 milhões de turistas internacionais.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP

Fonte: Apemip