quinta-feira, 6 de março de 2014

Construção afirma-se como atividade exportadora que contribui para a redução do défice externo

Contrariando, com factos e números, a ideia generalizada de que a Construção seria uma atividade “não transacionável” e, portanto, pouco relevante para o crescimento futuro da economia portuguesa dinamizado pelas exportações, um estudo recente do Banco de Portugal revela que, afinal, este Setor é exportador e contribui positivamente para o saldo da balança comercial e para o equilíbrio das contas externas.

Com efeito e de acordo com o referido estudo, em 2012, cerca de 20% da produção do sector é exportada e o contributo da Construção para o equilíbrio das contas externas foi de 9%.

As conclusões do Banco de Portugal encontram-se publicadas na “Análise do Setor da Construção”, Estudo da Central de Balanços, janeiro de 2014, designadamente, na “Caixa 1 – Relevância do Exterior na Atividade Operacional do Setor da Construção”, onde se pode ler: “Em 2012, o mercado externo justificou 20% do volume de negócios do setor da Construção.

Este valor reflete um aumento face a 2011 (peso do mercado externo de 14%), que resultou quer da quebra do mercado interno, quer da aceleração do mercado externo. O peso das exportações no setor da Construção era semelhante ao observado no agregado das empresas não financeiras em Portugal: 21%, em 2012.

Na Construção, tal como no agregado das empresas em Portugal, o peso das exportações no total do volume de negócios aumenta com a classe de dimensão das empresas: em 2012, foi de 4% nas microempresas, 12% nas PME e 38% nas grandes empresas. Em termos do saldo das operações comerciais com o exterior, o setor da Construção apresentou um valor positivo em todo o horizonte temporal considerado (9% em 2012), em contraste com o agregado das empresas em Portugal, que apresentou sempre valores negativos (-0.5% em 2012). Face a 2008, o saldo na Construção aumentou 4 p.p.

No período 2008-2012 observa-se, ainda, que todas as classes de dimensão do setor da Construção apresentaram um saldo das operações comerciais de bens e serviços com o exterior positivo: 3% nas microempresas, 7% nas PME e 14% nas grandes empresas.”

A importância da Construção na redução do défice da balança comercial está também patente num gráfico constante do mesmo estudo e que a seguir se reproduz.

O gráfico, apresenta o contributo agregado da Construção e dos seus segmentos de atividade para o saldo das transações de bens e serviços e, apresenta também, o contributo das Sociedades Não Financeiras (SNF), ou seja, do conjunto das empresas de todos os setores de atividade económica, resulta, sem margem para dúvidas, que o contributo da Construção para o equilíbrio externo é sempre positivo, o que não acontece com a maioria das empresas portuguesas.


Fonte: Aecops