segunda-feira, 24 de março de 2014

Imobiliário português procura novas rotas

Quando, explorando o caminho marítimo para a Índia, nos princípios do século XVI, prosseguimos, pelo Índico, mais para Oriente, e iniciámos os nossos contactos comerciais com a China, confirmando que este Império era uma das civilizações mais prósperas, mesmo considerando as diferenças de ritmo de desenvolvimento e crescimento, quando nos afirmávamos no mundo como um povo de mercadores aberto a aceitar todos os outros, já as chamadas rotas da seda eram bem conhecidas e algumas até já nem eram utilizadas.

Quinhentos anos depois dessa primeira grande vaga de globalização, feito de que ainda hoje nos orgulhamos e pelo qual ainda hoje somos conhecidos, estamos a marcar novas rotas entre o Oriente e o Ocidente, posto que no sentido inverso, ou seja, de Leste para Oeste. Há muito que a Europa não é o centro do mundo como nos idos de quinhentos julgávamos e queríamos que todo o mundo o reconhecesse.

A China, país imenso e imensamente populoso foi, com raríssimos momentos de excepção, uma potência económica com uma cultura milenar que se confinava ao seu enorme território sem a tentação de se expandir e conquistar o Ocidente.

Hoje, consolidada que está a globalização, o crescimento desta potência, mesmo considerando que os respectivos valores possam ser menos bons do que os projectados, precisa dessa internacionalização e da descoberta de novos mercados.

Precisa a China e precisa o resto do mundo. Foi a consciência dessa interdependência, que se afere bem nas relações comerciais, que levou à China, numa iniciativa da AIP - Feiras, Congressos e Eventos, com o apoio da Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa (CIMLOP), uma missão empresarial que esteve em Xangai, em Macau e em Hong Kong, três cidades que são o centro de importantes regiões económicas da China.

Na justificação desta viagem está o cumprimento do China Portugal Property & Investment Road Show, uma acção de promoção do imobiliário português no vasto mundo de negócios dessa enorme potência económica, onde estiveram presentes nove empresas, incluindo dois bancos – o BCP e a CGD, que estiveram representados ao mais alto nível.

Os expositores contaram aliás com a visita do Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos e Presidente da Comissão Executiva do BNU Macau, Dr. Nuno Fernandes Thomaz, que fez questão demonstrar o seu apoio institucional às acções de internacionalização promovidas pelas empresas portuguesas, sem quaisquer apoios do Estado.

Os empresários e os banqueiros que se deslocaram à China nesta missão não foram vender vistos de entrada em Portugal e na Europa, como alguns, malevolamente, pretendem fazer crer.

Foram, essencialmente, mostrar aos potenciais investidores chineses como o nosso imobiliário é um destino seguro para investir mesmo se nos compararmos a outros mercados europeus – não estamos na ressaca de qualquer bolha imobiliária, mantemos a qualidade da nossa construção e praticamos preços muito competitivos. Estamos naturalmente interessados nesses investidores mas oferecemos algo em troca que pode interessar a quem precisa de expandir os respectivos investimentos, em segurança e com perspectivas de retorno.

Seria quase ofensivo, para nós e para o nosso público-alvo, dizer que andamos a vender vistos de entrada em Portugal e na Europa com capacidade para embrulhar alguns dos nossos produtos imobiliários. É natural que quem invista em força numa determinada localização tenha direito a receber autorizações de residência prolongada, mas o que realmente importa, neste dossier, é mostrar como o imobiliário português tem condições para cativar tais investidores.

Não é de somenos este desafio mas é rigorosamente este e tem uma importância vital para o sector e para a nossa Economia. Assim os poderes públicos o entendam e concedam outros apoios a estas missões verdadeiramente patrióticas. À identificação destas novas rotas para o imobiliário.

Luís Lima
Presidente da APEMIP

Fonte: Apemip