quinta-feira, 8 de maio de 2014

Construção inicia 2014 com tímidos sinais positivos

Os ténues sinais de melhoria da conjuntura do Setor, até agora francamente recessiva, que começaram no final de 2013, continuaram a manifestar-se no início do corrente ano.

De acordo com a mais recente análise de conjuntura da FEPICOP- Federação Portuguesa da Indústria da Construção, a confiança dos empresários intensificou-se e vários indicadores, depois de revelarem comportamentos francamente negativos ao longo de 2013, denotaram andamentos menos desfavoráveis nos dois primeiros meses de 2014.

No entanto, importa alertar para o facto de a análise qualitativa estar afetada por uma base de incidência mais reduzida e, também, pelo quadro de profunda recessão vivido no Setor, em que qualquer pequeno sinal positivo pode ser excessivamente valorizado.

Sem perder de vista estes pressupostos, salienta-se, então, que, em janeiro e fevereiro passados, os empresários da Construção revelaram-se bem mais confiantes na atividade, em virtude quer da carteira de encomendas, nomeadamente no segmento da construção Não Residencial, quer das perspetivas de evolução futura do emprego no Setor, estendendo-se o otimismo ao nível de trabalho das suas empresas.

Numa vertente quantitativa, indicadores como, por exemplo, a área licenciada para fins não habitacionais, que cresceu 7,9% face ao período homólogo nos dois primeiros meses do ano, e, na Engenharia Civil, o montante das obras lançadas a concurso e o valor dos contratos celebrados, que subiram em termos homólogos 82% e 14,5% respetivamente, ilustram a melhoria referida.

Contudo, persistem fatores que refletem o andamento negativo da atividade. Em janeiro, o número de desempregados provenientes do Setor (95,8 mil), embora inferior ao registado no período homólogo (110,5 mil), continuava elevado, inclusive mais do que em dezembro de 2013 (94,1 mil). No plano financeiro, as empresas continuam a debater-se com problemas de crédito.

O crédito às empresas do Setor manteve-se em queda em janeiro último – menos 13,4% do que no mesmo mês do ano passado. Tal traduz uma redução do nível de endividamento do Setor, mas o mal parado continua a assumir um peso excessivo no total dos empréstimos à atividade: 24,2%, em janeiro. Seja como for e até à data, não se vislumbram condições para alterações de fundo que permitam este ano uma retoma da atividade, continuando as estimativas da FEPICOP a apontar para uma nova queda da produção global do setor da Construção, ainda que em menor grau do que o registado nos últimos anos, de cerca de 4,5%.

Fonte: Fepicop