segunda-feira, 5 de maio de 2014

Luís Lima: Paris olha para Lisboa

Paris agora olha para Lisboa e não o contrário como aconteceu noutras épocas em que a nossa inteligência esperava pelas novidades literárias e artísticas que chegavam de França, em livros e jornais que viajavam até nós de comboio.

Registe-se, a propósito, que no próximo dia 16, abre na capital francesa o terceiro Salão do Imobiliário e do Turismo Portugueses de Paris, uma iniciativa da Câmara do Comércio e da Indústria Franco Portuguesa (CCIFP) com a parceria da Associação Industrial Portuguesa (AIP) Feiras Congressos e Eventos e o apoio da Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) que nesta edição leva mais de uma dezena de empresas, dando assim um sinal da importância do mercado francês para o imobiliário português.

Esta nova edição do Salão de Paris assume-se como uma reafirmação do imobiliário português cada vez mais a mostrar-se refúgio seguro para muitos investimentos internacionais que aguardavam destinos de confiança. Refúgio de investidores internacionais mas também destino privilegiado para uma terceira idade europeia cujas reformas e pensões ganham outro poder de compra neste nosso país do Sul de potencial ímpar qualidade de vida.

Basta pensar no regime fiscal que garante isenção de IRS sobre reformas e pensões aos estrangeiros que comprem casa em Portugal e passem cá seis meses por ano durante dez anos, para nos olharmos como destino de sonho, alcançável à classe média europeia que chega à terceira idade com rendimentos certos e elevados para o padrão de vida nacional.

Somos, apesar de por vezes parecer que o queremos esconder, um país Europeu, com a matriz civilizacional da Europa, que mantém características do Sul, climatericamente até mais favoráveis pela amenidade durante todo o ano, e um país socialmente estável que gosta de receber e incluir e que mantém a tradicional hospitalidade que os estrangeiros bem conhecem.

E até há números que ilustram esta realidade. Os números das transações imobiliárias já efetuadas, no corrente ano, por estrangeiros em Portugal, mostram que os ingleses continuam a ser os estrangeiros mais interessados em escolher entre nós a segunda habitação, mas mostram que a par dos chineses, uma procura saída de uma fortíssima economia emergente, estão também os franceses, outrora menos atentos ao Ocidente da Europa.

Portugal já não é aquele lugar muito típico, onde os automóveis se cruzam muitas vezes com carros de bois, quase medievais, e onde as mulheres andam sempre de lenço na cabeça e vestem de preto, arrastando os filhos mais pequenos, quase invariavelmente descalços e sujos. Portugal é hoje um país moderno, reconhecido como tal, que integra o Primeiro Mundo sem ter perdido a alma que faz desta Nação, neste território europeu, um lugar único na afirmação da nossa identidade e na abertura aos outros.

É isto que seguramente vamos voltar a dizer a Paris, no terceiro Salão do Imobiliário e do Turismo Portugueses que abre portas, na Porta de Versailles, já no próximo dia 16 para que os franceses e outros interessados possam ver-nos melhor.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP

Fonte: Apemip