quinta-feira, 31 de julho de 2014

Procura de casas para arrendar aumenta, mas rendas descem

O Portuguese Housing Market Survey, inquérito mensal produzido pelo RICS (Royal Institution of Chartered Surveyors) e pela Confidencial Imobiliário (Ci), referente a junho revela que os níveis de procura no mercado de arrendamento habitacional em Portugal alcançaram o nível mais alto desde início do ano passado.

Em sentido contrário, as instruções por parte dos proprietários continuaram a cair em junho. Ainda assim, as rendas continuaram sob pressão para descer e as expetativas são para que continuem este percurso nos próximos três meses. O relatório evidencia ainda que os respondentes mantêm perspetivas otimistas relativamente à dinâmica futura do arrendamento.

No que se refere ao mercado de compra e venda de casas, à semelhança do PHMS dos últimos meses, o inquérito de junho volta a sugerir que os preços das casas se encontram perto de estabilizar. Em junho, as novas instruções de compra subiram ligeiramente, uma tendência que se mantém positiva pelo décimo primeiro mês consecutivo, e as vendas acordadas apresentaram também um ligeiro aumento pelo quinto mês consecutivo. A progressão consistente e estável destes dois indicadores parece estar agora a sentir-se nos preços, que, segundo o reportado, se mantiveram estáveis em junho, a nível nacional.

O relatório evidencia contudo que esta realidade apurada para o mercado nacional como um todo não é comum às três regiões analisadas. No Porto, os preços das casas continuaram a cair em junho, embora ao ritmo mais lento registado por este inquérito. Por outro lado, os promotores têm-se deparado com aumento dos preços nas casas novas em Lisboa, sendo que nos fogos usados os preços continuam a cair lentamente. Esta deterioração no Porto acabou por influenciar as expectativas a curto-prazo referentes à evolução do preços a nível nacional, indicador que voltou a terreno negativo. Em concreto quanto aos mercados de Lisboa e Algarve, as expetativas são que que os preços se mantenham inalterados a curto-prazo.

Já as expetativas referentes a vendas continuam a apontar para um aumento de atividade no futuro próximo, embora a um ritmo mais lento.

Ricardo Guimarães, Diretor da Ci, sublinha que “pela primeira vez na história do PHMS, o sentimento dos agentes (o qual se refere aos preços praticados no momento) sobre o preço das casas não é negativo. São mencionados vários fatores para suportar esta evolução, sendo alguns externos ao mercado, como a recuperação económica, e outros específicos do mercado, como a ausência de oferta em certas áreas, dada a inexistência de construção nova nos últimos anos”.

Josh Miller, Economista Sénior do RICS, acrescenta que “os últimos resultados mostram que o aumento da atividade no mercado de compra e venda reportado nos últimos seis meses se está a começar a traduzir numa perspetiva de preços mais estável. De facto, o feedback positivo por parte dos promotores é especialmente encorajador. No entanto, será necessário um conjunto de dados mais sólidos para o mercado de trabalho e para a economia em geral para podermos falar de uma reviravolta do mercado”.

Fonte: Ci