quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Portugal tem de aproveitar a mobilização do imobiliário

O tempo encarrega-se de confirmar ou desmentir muitas das opiniões adiantadas, legitimamente, antes de tempo. Opiniões cuja legitimidade reside na clara intenção de preparar melhor o futuro que anunciam, sendo certas, como tantas vezes são.

Há mais de dois anos que venho dizendo, com base em estudos sérios, que há localizações onde a procura imobiliária é tendencialmente mais forte do que a oferta - o tempo está a confirmar essas projeções e as preocupações que esta realidade gera.

Na verdade, como dizíamos há dois anos, em Portugal desenhava-se, como nitidamente hoje se desenha, a situação de não existir casas suficientes para a procura existente. Há localizações onde a oferta excederá a procura, mas nas localizações que mobilizam mais pessoas, a oferta começa a faltar.

O nosso primeiro e pioneiro estudo sobre esta matéria, onde se concluía que não havia casas para a procura, gerou estranheza em algumas pessoas mas, pouco tempo depois, o Governo pela voz da ministra Assunção Cristas, que então tutelava o sector, reconhecia a falta de alguns milhares de casas em certas áreas geográficas do país.

Como também fui dizendo quando abordava este tema, as casas não têm rodas. Em Lisboa e no Grande Porto a procura era, há muito, quase o dobro daquilo que estava disponível no mercado. Havendo ainda um outro desfasamento muito importante, o desfasamento em muitas situações existente, entre os preços da oferta, entre o real valor dos imóveis e entre o que muitos interessados poderão pagar.

Se havia, como ainda continua a haver, desvalorizações forçadas, num mercado onde o preço por metro quadrado de habitação, nas melhores centralidades das duas principais cidades, é o mais acessível entre os países da Europa Ocidental, também havia e há excessos nos números pedidos pelas ofertas, nomeadamente nas localizações mais difíceis.

Hoje já ninguém duvida da inexistência em Portugal de uma qualquer bolha imobiliária. Esta estratégia tentou forçar a paralisação do próprio mercado imobiliário português para forçar uma baixa de preços mas, felizmente para Portugal e para muitos portugueses, não foi tão longe como se temia e está a ser travada.

O que ainda não foi possível equilibrar é a relação entre a oferta e a procura nas áreas mais dinâmicas do mercado imobiliário português, nomeadamente nos centros das principais cidades, situação que exige uma rápida e lúcida atenção, em grande parte pela via da Reabilitação Urbana cuja reanimação é urgente.

Isto é urgente e fundamental para garantir que o imobiliário volte a contribuir de forma evidente para que Portugal seja melhor, mais desenvolvido, mais competitivo, mais atrativo e mais justo. Este papel deste sector da economia, hoje, por exemplo, muito ligado ao turismo residencial, não pode ser descurado.

Portugal pode reafirmar-se como um dos países exemplares onde o mercado imobiliário melhor aplica as regras e os princípios internacionalmente considerados indispensáveis para que o sector se assuma como um dos pilares do desenvolvimento e contribua para uma urgente retoma económica no quadro das vicissitudes geradas pela crise financeira de 2008.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP

Fonte: Apemip