terça-feira, 26 de maio de 2015

Luís Lima: 'Classe média'

Um dos sinais de mudança que o país mais reclama é o da inversão da tendência para um acentuado empobrecimento da classe média. A história das economias revela que as economias emergentes, com crescimento e desenvolvimento para a maioria da população, tem passado pela promoção de pessoas que estavam na base da pirâmide social e não o contrário. Esta é, aliás, a grande mais valia que as sociais democracias de referência apresentam ao Mundo.

Trata-se da defesa e da promoção da classe média, pela entrada na economia formal de milhares (às vezes milhões, como aconteceu no Brasil) de pessoas que estavam excluídas da distribuição da riqueza gerada, a par da criação e ou consolidação de outros desafios assumidos pelo Estado, como por exemplo serviços público de saúde e escola pública, entre outros.

Os países que apostam num ciclo de crescimento reconhecidamente de sucesso e a pensar na sustentabilidade da própria Economia, incorporam sempre as prestações e os apoios das políticas sociais, assumem o conhecimento e a educação de qualidade como pilares que sustentam a sociedade e fazem da renovação das cidades uma das estratégias mais importantes.

Como muitas experiências políticas em todo o Mundo o demonstram, um dos pilares destas transformações está na classe média, que crescentemente vive nas cidades e que reclama para essas mesmas cidades profundas reformas urbanas, com vista à qualidade de vida, no plano dos transportes, da mobilidade, da habitação. Foi olhando este horizonte que o “boom” imobiliário português dos anos 80 e 90 do século passado aconteceu.

É por isso que entre a classe média que importa voltar a defender, estão também muitos proprietários de casas, em regra casa própria mas não exclusivamente, gente que também deve e merece ser protegida, nomeadamente dos excessos da fiscalidade que se abate sobre o património. Muitos deles temem voltar a cair para a base da pirâmide social, por força dos impostos excessivos, da perda de apoios sociais da inexistência de políticas de emprego com inerentes e fortíssimas taxas de desemprego .

Governar, reconheço, é equacionar tudo isto e escolher o caminho que mais esperança oferece.

Luís Lima

Fonte: Apemip