terça-feira, 2 de junho de 2015

Constante

O número de vistos de residência a estrangeiros atribuídos em Portugal ao abrigo do investimento no imobiliário, tem sido uma constante, quase “tão concreta e definida” como outra coisa qualquer, para usar as palavras do poema Pedra Filosofal de António Gedeão, no Movimento Perpétuo de 1956.

A pedra filosofal é uma pedra rara com uma suposta constituição e fórmula química que lhe confere poderes capazes de transformar qualquer metal em ouro ou mesmo ser usada para criar o sempre desejado Elixir da Vida, poção mágica com propriedades para prolongar a vida da pessoa que a bebesse.

Com a pedra filosofal - cuja receita secreta existiria num livro antigo de características místicas - obter-se-á riqueza infinita e juventude eterna. Não é por acaso que chamamos de vistos Gold às autorizações de residência concedidas a quem tem contribuído para prolongar a vida e o papel na Economia do nosso imobiliário.

Comparando a estimativa dos números de vistos Gold concedidos nos primeiros quatro meses de 2014 com o número (contabilizado com o rigor dos números oficiais) de vistos concedidos em idêntico período do corrente ano, podemos concluir que terá havido uma subida dos 300 estimados nesse período de 2014 para os 356 deste ano.

Se continuarmos a comparar, podemos também dizer que o período de maior concentração de pedidos de vistos em 2014 foi o dos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro, tendência que pode continuar a ser uma constante no presente ano de 2015, como constante poderá ser o volume de imóveis transaccionados a estrangeiros.

Em 2014, estima-se que o total destas transacções tenham chegado dos 23 mil imóveis, 40% dos quais para cidadãos da União Europeia, que não precisam de vistos, com destaque para o tradicional mercado britânico (23% do total) e para o emergente mercado francês, a contabilizar 16% do total, quase tanto como a fatia de 18% atribuída a investidores chineses.

Não será um movimento perpétuo mas tem sido uma constante, com valores que não são necessariamente sempre superiores aos anteriores mas que marcam uma tendência, até agora muito positiva para a nossa Economia.

Luís Lima

Fonte: Apemip