terça-feira, 23 de junho de 2015

Obras públicas em queda travam recuperação da Construção

A Construção continuou, nos primeiros meses de 2015, a revelar um comportamento assaz instável, com a melhoria de alguns dos indicadores da atividade, por um lado, e o agravamento de outros, por outro lado.

Segundo a mais recente análise de conjuntura da FEPICOP, do lado positivo estão aspetos como a confiança dos empresários, o crédito à aquisição de habitação e a avaliação bancária para o efeito, o licenciamento de habitação e o desemprego oriundo do Setor. Já o crédito às empresas, a procura, o licenciamento no segmento não residencial, o emprego assegurado pelo Setor e o mercado das obras públicas imprimem um andamento manifestamente negativo da atividade.

Com efeito, em março de 2015, os empresários da Construção revelavam estar mais otimistas do que há um ano atrás quanto à produção do Setor, nível de atividade e situação financeira incluídos. A este sentimento pode não ter sido alheio o facto de, nos primeiros três meses do ano, o crédito à habitação ter registado um aumento homólogo de 43%, tendo atingido os 715 milhões de euros, ainda assim incomparável com os 2.476 milhões de euros concedidos em igual período de 2010.

Por seu turno, logo em abril, o valor médio da avaliação bancária apresentou também uma subida de 2,6%, para os 1.016 euros o m2. Contudo, o crédito às empresas manteve-se em queda, tendo registado, em março, uma redução homóloga de 12,7% e as empresas continuaram a apontar como maiores condicionantes à atividade a procura insuficiente e os aspetos financeiros.

Durante o primeiro trimestre de 2015 foram licenciadas 2.175 obras, ou seja, mais 4,8% em termos homólogos. Mas enquanto as licenças de construção de habitação nova aumentaram 15,6%, as obras de reabilitação caíram 11,8%. No segmento não residencial as quebras do licenciamento foram observadas tanto na construção nova (-8,2%) como na reabilitação (-14,7%) e, devido à forte redução de 43% registada nos edifícios industriais, a área licenciada caiu 8,6%.

Até ao final de abril foram promovidos 625 concursos de empreitadas de obras públicas, com uma quebra em valor de 41% face ao período homólogo de 2014. Também o volume de contratos celebrados nos primeiros quatro meses de 2015 caiu 41% relativamente ao registado no primeiro quadrimestre do ano passado.

Por fim, o número de desempregados com origem na Construção apresentou uma redução homóloga em abril de 21,8%. No entanto, esta diminuição não tem par no emprego assegurado pelo Setor, o qual, no primeiro trimestre de 2015, registava menos 5.800 postos de trabalho face ao último trimestre de 2014 e menos 8.100 face ao trimestre homólogo.


Fonte: FEPICOP