segunda-feira, 29 de junho de 2015

Setor imobiliário português gera VAB de 30,3 mil milhões de euros em 10 anos

Um estudo lançado pela Prime Yield conclui que entre 2003 e 2013 [1], o setor imobiliário português gerou um Valor Acrescentado Bruto(VAB) acumulado de 30,3 mil milhões de euros.

Numa análise dos dados relativos ao tecido empresarial do setor imobiliário em Portugal apurados pela IGNIOS, o documento revela ainda que nesse período de 10 anos, foram constituídas cerca de 40.800 novas empresas e declaradas insolventes cerca de 4.300, o que traduz um rácio de 9,5 empresas criadas por cada empresa insolvente, num balanço positivo para a indústria imobiliária.

Acompanhando a tendência sentida no mercado imobiliário em geral, a atividade das empresas deste setor revelou um percurso de crescimento anual até 2008, ano em que o VAB inverteu essa tendência, evidenciando contrações anuais até 2013.

Em 2007, o VAB gerado pela indústria imobiliária atingiu o pico destes dez anos, totalizando 3,85 mil milhões de euros, um valor que está 47% acima dos 2,02 mil milhões gerados em 2013. Os dados mostram que, entre 2003 e 2007, o VAB cresceu a um ritmo bastante significativo, mais que duplicando entre 2004 e 2005, de 1,44 para 2,95 mil milhões de euros.

Já, entre 2008 e 2013, as empresas a operar no setor imobiliário foram perdendo progressivamente capacidade de gerar valor económico, com o VAB a contrair de ano para ano e 2012 a registar a maior contração anual desses cinco anos, nomeadamente de 21% para 2,1 mil milhões de euros. Ainda assim, nota o estudo, o VAB gerado em 2013 (2,02 mil milhões de euros) está 65,5% acima do que a indústria imobiliária gerava 10 anos antes, em 2003 (1,22 mil milhões de euros).

De acordo com o estudo da Prime Yield, no período em análise foram constituídas cerca de 40.800 empresas no setor imobiliário, das quais 52% dedicadas à atividade de construção e 36% à compra e venda de bens imobiliários. A mediação, a angariação e a avaliação imobiliárias são as outras três atividades que concentram os restantes 12%.

O ano de 2007 foi aquele que registou maior dinâmica em termos de criação de empresas neste setor (cerca de 5.000 empresas criadas), mas o estudo sublinha que entre 2004 e 2008 o número de novas empresas criadas anualmente foi sempre superior a 4.000. Desde 2007, e à semelhança com o que se verificou no indicador do VAB, a tendência foi de decrescimento, com o número de empresas constituídas a recuar, atingindo um mínimo de cerca de 2.670 empresas em 2012. O ano seguinte foi já de crescimento, com cerca de 2.970 empresas criadas.

Para o mesmo período acumulado, os dados analisados pela Prime Yield e cedidos pela IGNIOS, apuram um total de cerca de 4.300 empresas da área imobiliária insolventes, com o pico das insolvências a observar-se em 2012 e 2013, com 955 e 935 empresas, respetivamente. Ao contrário das constituições, o número de insolvências ao longo destes dez anos tem evidenciado uma tendência predominantemente de crescimento, apenas interrompida em 2005 e 2013, anos em que a variação anual recua. Aliás, entre 2005 e 2012, as insolvências cresceram até de forma acentuada, com variações anuais a oscilarem entre um mínimo de 15% e um máximo de 33%.

Não obstante, de acordo com este estudo, o setor imobiliário apresenta um rácio bastante positivo na comparação constituições/insolvências, já que no acumulado de 2003 a 2013, por cada empresa insolvente foram criadas 9,5 empresas.

Tecido Empresarial do Setor integra perto de 55.000 empresas. O tecido empresarial do setor imobiliário é atualmente constituído por cerca de 55.000 empresas, das quais 55% operam na área da construção (quer no segmento residencial quer não residencial).

Já as atividades relacionadas com a compra e venda de imóveis totalizam, por seu turno, 36% do tecido empresarial atualmente ativo nesta indústria. A mediação imobiliária concentra os restantes 8%, e quer as empresas que trabalham em angariação quer as que trabalham em avaliação imobiliária apresentam um peso residual que não chega a 1%.

Deste universo empresarial ativo à data do 1º trimestre de 2015, cerca de 48% das empresas estão operacionais há mais de dez anos. Mas, não obstante, trata-se de um setor com empresas relativamente jovens, já que, mesmo entre as empresas com atividade há mais de 10 anos, o grosso das entidades (70%) tem menos de 20 anos de operação, nota o estudo da Prime Yield.

Em termos geográficos, são os distritos de Lisboa e Porto aqueles que albergam o maior número de empresas ativas no setor imobiliário. Quase 30% das empresas localizam-se no distrito de Lisboa e cerca de 16% no do Porto, com os distritos de Braga, Faro e Setúbal a completar o top 5. Estes três distritos apresentam pesos semelhantes na composição geográfica do tecido empresarial do setor imobiliário, oscilando entre pouco mais de 8% e 6%.

Denominado “O Mercado Habitacional em Portugal 2005-2015” e focado na análise dos preços da habitação em Portugal ao longo destes dez anos, o estudo da Prime Yield, uma empresa de referência na consultadoria imobiliária e avaliação de ativos, reflete também sobre a evolução do tecido empresarial do setor imobiliário nacional no mesmo período. A empresa, que opera atualmente em cinco países Lusófonos – nomeadamente Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique – comemora este ano o seu 10º aniversário, tendo sido estabelecida em 2005 em Lisboa.

Recorde-se que este estudo foi recentemente lançado, tendo concluído, em relação à evolução do mercado habitacional português que os preços das casas na Grande Lisboa apresentavam em 2015 uma valorização de 4,4% e no Grande Porto de 2,8%, quando comparados com os valores de oferta registados em 2005. Na Grande Lisboa os preços médios das casas em oferta situavam-se nos 1.324 euros/m² em 2015, comparando com os 1.268 euros/m² registados, em média, em 2005. Já no mercado do Grande Porto, os valores médios de oferta em 2015 fixam-se nos 1.192 euros/m², em comparação com os 1.160 euros/m² que em média as casas custavam em 2005.

[1] A análise contempla o período de 10 anos entre 2003 e 2013 e não o de 10 anos de atividade da Prime Yield (2005 -2015), na medida em que é baseada na informação disponibilizada através do IES (Informação Empresarial Simplificada), acessível apenas em setembro do ano seguinte ao ano da atividade em questão. Assim, 2013 é, à data, o último ano disponível em termos de dados.

Fonte: Prime Yield