segunda-feira, 13 de julho de 2015

Manuel Pizarro: 'O Porto é um enorme espaço para a reabilitação e precisa de uma nova leitura'

"O Porto é um enorme espaço para a reabilitação e precisa de uma nova leitura capaz de combinar a identidade da cidade e a modernidade.” Foi este o desafio lançado hoje por Manuel Pizarro, vereador da Habitação e Acção Social da Câmara Municipal do Porto, na primeira mesa redonda do ARCHI Summit, que hoje e amanhã se realiza no Silo Auto, na cidade invicta.

O vereador da Câmara do Porto defendeu ainda a importância de promover a reabilitação urbana e social da cidade e realçou que muitas vezes é “necessário usarmos a criatividade para chegarmos aos cidadãos.”

Afirmações no dia em que foi lançado pelo governo um programa de financiamento à reabilitação de imóveis com 30 ou mais anos, no centro das cidades. 

Com uma dotação inicial de 50 milhões de euros, o programa denominado “Reabilitar para Arrendar – Habitação Acessível” deverá, segundo dados do governo, permitir a reabilitação de 300 edifícios e cerca de 2.000 habitações.

O 1.º Summit de Arquitectura Internacional reúne profissionais da área, nacionais e internacionais, com o objetivo de promover o debate de novos desafios e realizar o levantamento de novos paradigmas para a arquitectura portuguesa. A sessão da manhã contou ainda com a intervenção dos arquitetos João Paulo Rapagão, antigo membro da OASRN, Alberto de Paula Prieto, representante do Colexio Oficial de Arquitectos da Galiza e Cristóvão Iken, num debate moderado pelo jornalista Carlos Magno.

As alterações ao estatuto do arquitecto, a exigência da legislação, bem como a instabilidade político-económica que circunda a arquitectura portuguesa, foram pontos principais debatidos pelos oradores. Contudo, a mensagem passada foi de optimismo para os arquitectos, para que o desânimo da conjuntura de crise não deixe a arquitectura morrer e para que sejam encontradas formas de reinventar a profissão. Seja através de equipas multidisciplinares, coletivos, arquitectos de autor ou de projeto, os oradores defenderam que há espaço para todos, mas manifestam a sua preocupação sabendo que “ somos 23 mil e o que me assusta é querermos todos o mesmo”, rematou Cristóvão Iken.

Na sessão de abertura do evento, Cláudia Costa Santos, presidente do CDRN da Ordem dos Arquitectos destacou a importância de dar “um novo rumo e uma nova política para a arquitectura portuguesa”. Cláudia Costa Santos referiu ainda a necessidade de “defender a qualidade do património arquitectónico” e chamou a atenção para a importância de analisar e acompanhar as alterações estruturais e estruturantes que estão a ser feitas ao estatuto do arquitecto.

Durante a tarde, vários arquitectos apresentaram e debateram os desafios que atualmente se colocam à profissão. Amanhã, os trabalhos são retomados às 10 horas da manhã, estando, logo de seguida, prevista uma mesa redonda sobre a definição de planos estratégicos.

Fonte: OA