quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Construção regista primeira variação semestral positiva desde 2007

O setor da Construção ficou marcado, no primeiro semestre de 2015, pela inversão da tendência recessiva de importantes indicadores que medem a evolução da atividade, designadamente, o Investimento em Construção e o Valor Acrescentado Bruto.

Conforme revela a mais recente análise de conjuntura da FEPICOP, no 2.º trimestre de 2015, estes dois indicadores, que medem a evolução da procura, da produção, registaram, pela segunda vez consecutiva, uma variação homóloga positiva, de 1,0% e 1,5%, respetivamente, o que já não acontecia desde 2007.

Neste contexto, não admira que os empresários do Setor se sentissem mais otimistas em junho de 2015 que em igual período de 2014, o que se traduziu em evoluções positivas dos indicadores relativos ao nível de Confiança (16,3%), Nível de Atividade (13,3%), Carteira de Encomendas (37.5%) e Situação Financeira (4,0%).

Outros aspetos positivos e concretos terão contribuído para esse sentimento, tais como os aumentos, durante o semestre em referência, de 31,4% no número de habitações transacionadas e de 58,6%, para 1.665 milhões de euros, do crédito à aquisição de habitação, com a evolução do valor médio da avaliação bancária das habitações a subir 2,4%, mais nos apartamentos (2,9%) do que nas moradias (1,8%).

De igual modo, também o emprego assegurado pelo Setor registou, no 2º trimestre de 2015, um aumento homólogo de 4,8%, o que se saldou na recuperação de 12.800 postos de trabalho, face aos 264.800 empregos existentes em igual período de 2014. Em aparente sintonia com este movimento, o número de desempregados da Construção mantém uma trajetória descendente, que se traduziu, em junho último, num recuo homólogo de 21,3%.

Menos favorável à atividade, o crédito concedido às empresas de construção manteve a tendência de redução, com uma quebra homóloga de 10,9% em junho, enquanto o mal parado persiste em aumentar, correspondendo já a cerca de 32% do crédito concedido ao Setor.

Por outro lado, enquanto a Habitação revelou maior dinamismo, as Obras Públicas continuaram a protagonizar quedas significativas.

No 1.º semestre de 2015, foram licenciadas 7.579 obras, o que representou uma descida homóloga de 4,2%.

Ainda assim, as licenças de construção nova (63,4% do total) subiram 5,8%, ao passo que as licenças de reabilitação desceram 17,7%.

Porém, na Habitação, as licenças de construção nova subiram 16,2%, o número de fogos licenciados cresceu 19,5%, mas a reabilitação revelou uma quebra homóloga de 11,8%,

Já no segmento Não residencial as quebras verificaram-se tanto na construção nova (-8,0%) como na reabilitação (-22,9%) e também a área licenciada caiu 6,2%, ou seja, menos 62 mil m2 que em igual período do ano anterior.

Por fim, entre janeiro e junho de 2015, foram celebrados mais 924 contratos de obras públicas que em igual período de 2014. Contudo, o valor total dos 6.578 contratos celebrados foi de apenas 517 milhões de euros, o que traduz uma quebra homóloga de 35%. Em média o valor de cada contrato caiu 44%, de 141 mil para os 79 mil euros. Já os concursos promovidos revelaram, no mesmo período, uma diminuição em valor de 38% (menos 349 milhões de euros) embora o seu número tenha aumentado 6%.


Fonte: FEPICOP