segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Investimento estrangeiro representa 91% do mercado imobiliário comercial

O investimento no mercado imobiliário português alcançou um volume de negócios recorde de 2,1 mil milhões de euros, um valor histórico que posiciona 2015 como o melhor ano de sempre. Com um crescimento de 139% em relação ao ano de 2014, e de 47% face ao anterior pico de mercado, em 2007, este aumento resultou da atratividade da rentabilidade dos ativos imobiliários face à desinteressante oferta do sector financeiro. Esta é a conclusão do mais recente estudo da CBRE.

O sector de retalho registou o maior número de negócios, com um volume de investimento de 1,2 mil milhões de euros, com 57% dos ativos transacionados em 2015. Deste total, 39% foram transações de centros comerciais, que protagonizaram as maiores operações dos últimos 10 anos em Portugal, com a venda do Almada Forum e do Forum Montijo à Blackstone, e dos Dolce Vita Coimbra, Porto e Douro ao Deutsche Bank. Foram também realizados diversos investimentos em supermercados e lojas de rua.

Por sua vez, o sector dos escritórios representou 24% do investimento imobiliário de 2015. Dos cerca de 500 milhões de euros investidos, o negócio mais emblemático foi a transação da Torre Ocidente – integrada no complexo do Centro Comercial Colombo, vendida pelo consórcio constituído pelo Grupo CGD, Iberdrola Inmobiliária, CBRE Global Investors e Sonae Sierra, a um fundo de Singapura.

O investimento no sector de armazéns e logística também refletiu uma elevada procura, em particular por parte da Logicor (Blackstone). Este equity fund adquiriu em 2015 diversos ativos, consolidando a sua presença em Portugal, e é atualmente o maior proprietário de armazéns logísticos da Grande Lisboa.

O sector hoteleiro destacou-se em 2015 com um volume total de investimento a ascender os 230 milhões de euros, correspondendo a 11% do investimento do ano. A reduzida presença de operadores internacionais e o maior peso de contratos de gestão tornam este sector menos atrativo face a outras opções de investimento em imobiliário, mais seguras. Entre os negócios concluídos em 2015, evidencia-se a venda de unidades da insígnia Tivoli e Pestana, ambas marcas nacionais de renome internacional.

A origem do investimento demonstra outro recorde: 2015 foi o ano com maior investimento estrangeiro. Os 1,9 mil milhões de euros refletem um crescimento de 70% face a 2004, ano de referência onde se atingiu um valor de 1,1 mil milhões de euros.

O investimento estrangeiro foi de 91% do volume de negócios de 2015, com 58% deste investimento proveniente das Américas, seguido de 27% do continente Europeu. Relativamente ao investimento europeu, a Alemanha representou 38% da fatia de investimento, sendo também o segundo maior mercado estrangeiro investidor, a nível global.

Durante 2015, as taxas de rentabilidade de produto prime (yields prime) registaram descidas em todos os segmentos, tendo estabilizado no último trimestre do ano. De salientar que, em algumas zonas de escritórios, assim como no comércio de rua em Lisboa, as taxas de capitalização estão já abaixo do pico de 2007.

Contudo, face a um reduzido aumento das rendas, os valores de capitalização são ainda inferiores aos verificados em 2007, em todas as zonas de escritórios e de armazéns e logística. Mas no comércio de rua de Lisboa verifica-se já um acréscimo de 63%, no valor dos ativos prime, relativamente ao pico do mercado, assim como nos centros comerciais, onde se observa uma valorização de 6%.

Para Cristina Arouca, Diretora de Research e Consultoria da CBRE, “Prevê-se que 2016 mantenha a tendência de investimento, fortemente positivo, a avaliar pelo número de imóveis que se encontram atualmente no mercado, em conjunto com o interesse já revelado por parte de vários investidores. De todo o mercado de investimento da Europa Ocidental, Portugal apresenta as yields mais atrativas. Paralelamente, a perspetiva de manutenção do crescimento económico e um mercado de arrendamento em recuperação asseguram a segurança dos investimentos.”

“Antecipam-se também alterações na origem do investimento, sendo expectável um fortalecimento do investimento europeu e asiático, em detrimento do norte-americano. Relativamente ao perfil dos investidores irá sentir-se um aumento de investidores de baixo risco, sobretudo pelas expectativas de recuperação económica e rentabilidades acima da média europeia.”

Fonte: CBRE