terça-feira, 29 de março de 2016

Álvaro Santos: Desenvolvimento turístico no centro histórico do Porto

A reabilitação da baixa e do centro histórico do Porto, parte do qual é considerado local Património Mundial da UNESCO, desde 1996, é um processo que se iniciou em 2004, através da criação de uma empresa pública - Porto Vivo, SRU (PVSRU).

No seu Plano Diretor (PVSRU, 2005), foram estabelecidos alguns princípios básicos, a fim de orientar os esquemas de renovação urbana que devem ser postos em prática; e esses princípios são: a sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável; identidade do lugar; criatividade e originalidade; e integração - uma abordagem integrada que iria criar um elo de ligação entre os princípios e objetivos estratégicos da cidade e todos os stakeholders, abordando dimensões económicas, sociais, culturais e ambientais, que devem ser acionadas em conjunto.

Em termos de necessidade de reabilitação, o desafio era enorme. O Porto tinha, estatisticamente, a pior situação no país, juntamente com Lisboa, em termos absolutos e em termos relativos, devido à degradação física do seu património construído (PVSRU, 2005).

De acordo com os dados do Censo de 2001, 19% dos edifícios estavam altamente degradados, necessitando de profunda reabilitação e 45% teriam necessidade de pequenas ou médias reparações (PVSRU, 2005; FEUP, 2004). Em 2011, dez anos depois, os dados do Censo de 2011 mostraram que a percentagem de edifícios que necessitam de reabilitação profunda diminuiu para 7% e os edifícios que necessitam de pequenas ou médias reparações representam apenas 39%, um valor inferior.

No centro histórico, o problema da degradação foi relativamente maior do que em outras zonas da cidade, de modo que o esforço de investimento público foi priorizado e focado nessa área, a fim de alavancar e criar um efeito multiplicador. Os ativos culturais também explicam essa priorização, em função da classificação da UNESCO, e, portanto, a necessidade da preservação do valor do património e da identidade cultural do local (PVSRU, 2008).

Tal desafio representava também uma oportunidade para o desenvolvimento económico e social. O processo de reabilitação foi, portanto, fixado em cinco vetores de desenvolvimento principais, a saber: a atração de nova população ao centro da cidade; o desenvolvimento do empreendedorismo e negócios; a promoção do comércio; a melhoria do turismo, da cultura e de atividades relacionadas com o lazer; e a renovação dos espaços públicos (PVSRU, 2005).  O Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto Património Mundial (Câmara Municipal do Porto e PVSRU, 2008) também dedicou um dos seus eixos estratégicos ao setor do turismo.

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Fonte: Tourism Trends Review - Turismo’16

O artigo “Desenvolvimento Turístico no Centro Histórico do Porto” foi publicado no anuário internacional “Tourism Trends Review - Turismo’16