quarta-feira, 2 de março de 2016

Comércio de rua em Lisboa e Porto regista forte dinamismo

Segundo a mais recente Análise do Mercado Imobiliário em Portugal da CBRE, o comércio de rua, nomeadamente de Lisboa e Porto, é um dos setores imobiliários que mantém um forte dinamismo em grande parte à conta do turismo, que continua a bater recordes ao nível das dormidas e proveitos, e da reabilitação urbana.

O mercado de retalho no comércio de rua em Lisboa manteve um desempenho positivo em 2015, com a renda prime na Avenida da Liberdade e no Chiado a evidenciar um crescimento de 11% face a 2014. 

Mais notável é o aumento de 30% no valor da renda prime das lojas situadas na Rua Augusta, as quais chegam a atingir os 70 €/m2/mês.


A procura de espaços deverá manter-se forte, sendo que perspetiva-se a entrada de novas lojas no mercado em 2016, resultado da reabilitação de edifícios.

No Porto, o mercado de retalho está consolidado na Rua de Santa Catarina, no Passeio dos Clérigos e no Quarteirão das Cardosas. O eixo Mouzinho-Flores está a evidenciar um dinamismo crescente, verificando-se nesta zona um maior número de projetos de reabilitação que permitem a abertura de novas ofertas de restauração e conceitos alternativos no campo da moda. O aumento da procura refletiu-se nas rendas prime do Porto, que registaram um crescimento de 17% face ao final de 2014. Perspetiva-se uma procura muito positiva no domínio da restauração e da moda, sendo também expectável uma subida da renda prime em 2016.

Para Cristina Arouca, diretora de Research e Consultoria da CBRE, “A procura de espaços nas principais artérias de rua de Lisboa deverá manter-se forte, em particular nas zonas prime da Avenida da Liberdade e do Chiado enquanto zonas como a Baixa começam a ficar mais consolidadas, em virtude do aumento do fluxo pedonal e da reabilitação de edifícios. A dinâmica do comércio de rua, até aqui condicionada pela escassez de produto, deverá ser impulsionada com a entrada no mercado, ao longo de 2016, de cerca de 20 lojas, situadas em edifícios que se encontram atualmente em reabilitação. Metade desta oferta está prevista para a Avenida da Liberdade com novas insígnias do segmento de luxo a anunciarem a abertura para 2016, nomeadamente a Bulgari e a Versace, assim como os corners da Chanel, da Céline e da Dior, integrados em lojas multimarca.”

Adianta ainda “No Porto, os principais eixos de comércio deverão continuar no foco dos retalhistas. Prevê-se que o grupo Inditex inaugure uma nova loja nesta zona em 2016. É também expectável uma subida da renda prime, particularmente motivada pela oferta insuficiente de qualidade, levando os operadores a considerar a aquisição de espaços bem localizados, ainda por reabilitar.”

Relativamente aos centros comerciais, não foi inaugurada nenhuma nova superfície em 2015. Apesar do Índice de FootFall não registar, em 2015, uma variação relevante, o Índice de Vendas dos centros comerciais manteve, ao longo do ano, uma tendência de crescimento. Segundo os dados divulgados pelo INE, o volume de negócios no comércio a retalho aumentou 2% em 2015, mais 0,8 pontos percentuais do que em 2014 e o Indicador de Confiança no Comércio estabilizou em dezembro, após uma variação positiva ao longo do ano, atingindo o valor mais elevado desde julho de 2011.

As rendas prime dos centros comerciais, registaram em 2015 um aumento de 12% em Lisboa e de 8% no Porto.

Os centros comerciais prime devem consolidar o seu desempenho em 2016, ao mesmo tempo que os bons centros comerciais secundários devem acelerar a sua recuperação. Após 4 anos sem grandes acréscimos de área ao stock, em 2016 está previsto inaugurar o Centro Comercial Nova Arcada em Braga, com 67.500 m2, incluindo uma loja Ikea como âncora e o City Park Caldas da Rainha. Para 2017 prevê-se a abertura do IKEA no Algarve, constituído por um centro comercial e um outlet promovidos pelo Ikea.

Fonte: CBRE