quarta-feira, 27 de abril de 2016

Carlos Leite de Sousa: O impacto do Alojamento Local nos centros históricos e sector imobiliário

Recentemente, visitei um apartamento em Alfama, situado num prédio com 3 pisos, cada piso com um apartamento. Designar por apartamento talvez não seja o mais correcto, uma vez que o espaço, com cerca de 20 m2, tem na mesma divisão a kitchenette, a mesa de refeições, o sofá, a cama e um roupeiro. Por fim, aproveitando o vão da escada do edifício, foi colocada uma sanita, um lavatório e um poliban. Este espaço, hoje utilizado no mercado do Alojamento Local (AL), deverá render mensalmente ao seu proprietário cerca de 700 Euros. Este mesmo espaço, estava devoluto há vários anos, pois é escassa a procura por este tipo de imóveis para habitação.

O nosso estilo de vida mudou, e independentemente da maior ou menor crise económica, em Portugal, é difícil alguém querer viver diariamente num “cubículo”. Um imóvel com estas características dificilmente seria arrendado por mais de 250 Euros mensais, e embora possa referir a possibilidade de arrendar a estudantes, o valor seria idêntico, com a agravante dos custos suportados com as “utilities”.