quinta-feira, 12 de maio de 2016

Lisboa é 50ª cidade mais atrativa para expansão internacional de retalhistas

É habitual dizer-se que o sucesso é uma viagem e não um destino, mas de acordo com o último relatório da JLL, o destino é tudo. O relatório Destination Retail, que olha para as principais cidades do mundo na área do comércio, mostra que 50 das maiores cidades globais subiram para o topo da lista nas estratégias de expansão dos retalhistas nos segmentos de mass market, premium e de luxo.

E ainda que as cidades na região Ásia-Pacífico lideram esta lista e que as cidades do Médio Oriente estão a destacar-se cada vez mais, impulsionadas por um grupo crescente de retalhistas internacionais.

Numa luta entre mercados históricos e estabelecidos vs mercados novos e emergentes, a JLL listou a atividade internacional de retalhistas e a atratividade de 50 cidades e concluiu:
  • Londres continua a liderar os fluxos de retalho internacional como a principal força mundial de comércio e está na 1ª posição enquanto destino de retalho no mundo.
  • Um terço das 15 principais cidades para retalho localizam-se no Médio-Oriente (Dubai em 4º, Cidade do Kuwait em 9º, Abu Dhabi em 11º e Jidá e Riade, empatadas na 12ª posição).
  • A região da Ásia-Pacífico supera todas as outras, com 18 cidades a qualificarem-se nesta lista de 50 destinos de retalho sobretudo devido à considerável dimensão dos seus mercados.
  • As cidades dos Estados Unidos recuperaram para pouco mais de um quarto (26,4%) do top 50 das cidades globais para retalho, mas apenas uma cidade deste país integra o top 15 global (Nova Iorque, em 5º).

“Mudanças estruturais estão a varrer a indústria de retalho à medida que a tecnologia e as plataformas de comércio online estão mais sofisticadas. Contudo, a procura por espaços físicos adequados, na localização certa é hoje mais forte do que nunca“, disse James Brown, Diretor de Global Retail Research da JLL. “As fronteiras são cada vez menos uma questão para os retalhistas que procuram oportunidades em mercados internacionais e estamos a ver a paisagem mundial de retalho alterar-se de forma muito rápida para dar resposta a esta mudança”.

O relatório da JLL examina a presença de 240 marcas internacionais de retalho, lançando um olhar sobre os fatores que influenciam o seu crescimento, oportunidades e barreiras, e também classifica e avalia a vitalidade e atratividade de 140 cidades de todo o mundo.

Centro de comércio mais importante da Europa, Londres classifica-se como o 1º destino de retalho. Londres tem a maior presença de retalhistas internacionais face aos seus pares globais, superando ainda Hong Kong em termos da presença de marcas internacionais de luxo. A capital britânica continua a ser um íman para novas marcas graças à combinação única de dimensão do mercado, maturidade e elevado grau de transparência. A cidade tem uma longa história de sucesso, impulsionada por uma base diversificada de habitantes locais e turistas, e muitos retalhistas veem Londres como a porta de entrada na Europa, incluindo marcas novas como a J.Crew, Ac’teryx, Club Monaco, Kit an Ace e John Varvatos.

Lisboa. De acordo com este estudo, Lisboa classifica-se na 50ª posição do ranking global das cidades que apresentam maior atratividade para os retalhistas expandirem internacionalmente as suas marcas, lista que classifica 140 cidades de todo o mundo.

A capital portuguesa integra a categoria de “Mercados de Retalho Maduros”, que a JLL caracteriza como mercados estabelecidos, com níveis de venda sólidos e um importante tecido retalhista nacional, além de uma base de consumo alargada e perspetivas estáveis de crescimento. Possuindo um mercado imobiliário de retalho transparente e que os retalhistas internacionais consideram ser favorável à sua entrada, diferem dos “Mercados Globais de Retalho” (como Nova Iorque, Londres ou Tóquio), sobretudo pela sua menor dimensão, já que, no âmbito das estratégias de internacionalização, são também muitas vezes selecionados para a instalação de flagship stores e teste de conceitos, como é o caso, em Lisboa, do Mercado da Ribeira, que a Time Out pretende expandir para outros mercados europeus, evidencia o estudo internacional da JLL.

De acordo com dados apurados pela JLL Portugal localmente, em 2015 os quatro principais destinos de compras de Lisboa (avenida da Liberdade, Chiado, Baixa e Príncipe Real) receberam cerca de 20 novas lojas, o que totaliza aproximadamente metade das 40 aberturas registadas quer em 2013 quer em 2014, devendo-se sobretudo à falta de espaços disponíveis e não a um abrandamento da procura por parte dos retalhistas.

Em comentário à posição de Lisboa no estudo, Patrícia Araújo, Head de Retail da JLL Portugal, explica que “os grandes operadores internacionais nos diferentes segmentos de mercado, continuam a ter vontade de ter uma loja na capital portuguesa, procurando zonas consolidadas ou com grande fluxo turístico, que lhes permitam estar mais próximos dos consumidores estrangeiros. O principal entrave a um crescimento mais acelerado da expansão destas marcas é precisamente a falta de espaços adequados à procura, já que esta continua a ser inquestionável”.

Modelo de franchising do Médio Oriente facilita o crescimento do retalho. As principais cidades do Médio Oriente – incluindo o Dubai, a Cidade do Kuwait, Abu Dhabi, Jidá e Riade - estão a emergir como polos de negócios e viagens e atraem cada vez mais a atenção das marcas internacionais de retalho. Uma forte afluência de turistas nestas cidades desempenha um papel importante no crescente fluxo de capital estrangeiro, que é um fator chave para o consumo no retalho. Cada um destes mercados tem um stock alargado de área de retalho e com preços acessíveis, suportado ainda por estruturas de franchising que apresentam opções viáveis para os retalhistas internacionais e que reduzem o seu risco operacional de entrada. Adicionalmente, o mercado de retalho doméstico no Médio Oriente não é tão maduro como noutras regiões, permitindo às marcas internacionais de retalho entrar sem concorrência elevada por parte das marcas nacionais. O relatório da JLL conclui que o consumo na região impulsionou alguns dos volumes de vendas mais elevados para os retalhistas.

Região Ásia-Pacífico atrai retalhistas pela sua elevada dimensão. A dimensão considerável do mercado das principais cidades da Ásia-Pacífico, em termos de população e poder económico, é um dos principais fatores que levam os retalhistas a expandirem-se para esta região. Muitos mercados asiáticos beneficiam de uma classe média em crescimento e níveis crescentes de rendimento, fatores que são particularmente atrativos para um vasto leque de retalhistas.

As cidades também beneficiam de uma importante oferta de espaços modernos, novos e adequados aos requisitos dos retalhistas. Hong Kong continua a ser o destino de retalho mais importante da Ásia, com as principais marcas de retalho – desde as de luxo às de grande consumo - a competir pelas localizações prime. As cidades desta região estão a alcançar cada vez mais os mercados de retalho mais modernos da Europa e dos Estados Unidos.

A China é a segunda maior economia do mundo e as suas principais cidades, Xangai e Pequim, sofreram uma profunda transformação nas duas últimas décadas, impulsionada por uma classe média em crescimento e pela elevada concentração de indivíduos de rendimento líquido elevado (high net worth individuals). Ambas as cidades estão agora firmemente no mapa dos retalhistas internacionais como locais chave para conseguir uma boa exposição da marca e funcionar como mercados-piloto. Fora da China, as principais cidades da região que estão também a merecer a atenção dos retalhistas internacionais incluem Tóquio, Singapura, Seul, Osaka e Bangkok.

EUA: Estrelas, Riscas e Vendas Fortes. O continente Americano concentra um quarto das 50 principais cidades em termos de atratividade, mas 15 das 16 cidades do continente localizam-se em apenas um país – os Estados Unidos. O “país das oportunidades” tem mais espaço de retalho do que qualquer outro, com 1,19 biliões de m² e dá aos retalhistas diversas opções de entrada no mercado – em centros comerciais, galerias, power centres ou espaços de retalho tradicional.

Enquanto os Estados Unidos continuam a ser um dos mais avançados mercados de retalho global com volumes significativos de consumo, o mercado como um todo está pouco atrativo para os retalhistas internacionais. As principais cidades como Nova Iorque, São Francisco, Miami, Chicago e Los Angeles continuam robustas entre as marcas globais, mas os 136 outros mercados chave do país são pouco considerados pelos retalhistas internacionais.

“A expansão para mercados novos está cada vez mais rápida, mas não sem acarretar riscos. Os retalhistas internacionais que estão focados num crescimento calculado e equilibrado podem concluir que as mega-cidades de comércio são uma oportunidade produtiva”, disse David Zoba, Chairman do Global Retail Lesaeng Board da JLL.

A aceleração da expansão de marcas internacionais pelas melhores e mais atrativas cidades do mundo vai continuar na próxima década, impulsionada pela emergência de classes médias em crescimento, novas economias vigorosas e pelo aumento do turismo. Os retalhistas que tiverem sucesso na aquisição dos espaços corretos e no tempo certo, vão seguramente conseguir ter um crescimento bem sucedido e lucrativo.

Fonte: JLL