segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Mais de 700 apartamentos premium em venda no centro de Lisboa este ano

A JLL estima que este ano, cerca de 720 novos apartamentos da gama alta estejam em venda no centro de Lisboa, um número que representa um crescimento de cerca de 18% face à oferta contabilizada no ano passado, em torno das 600 unidades, e de 40% face a 2014 (pouco mais de 500 apartamentos).

Os números foram apresentados pela consultora durante uma sessão de debate realizada esta quarta-feira no âmbito do Portugal Real Estate Summit, evento que reuniu cerca de 300 investidores e promotores imobiliários nacionais e internacionais nos dias 20 e 21 de setembro e do qual a JLL foi patrocinadora.

Dedicada ao tema da reabilitação urbana, a sessão promovida pela JLL centrou-se nas oportunidades de desenvolvimento imobiliário em Lisboa e contou com a presença de vários promotores imobiliários com investimentos ativos no mercado residencial premium.

Para a JLL, ainda que seja evidente a tendência de crescimento, o mercado residencial premium em Lisboa continua a ter uma dimensão reduzida, especialmente num panorama global, face ao qual se mantém também bastante atrativo em termos de preço. De acordo com a consultora, o preço médio de venda deste tipo de apartamento nas localizações prime da capital – nomeadamente Avenida da Liberdade, Chiado e Baixa - rondarão os 8.000 euros/m2, um valor bastante abaixo de outras capitais europeias como são os casos de Madrid (em torno dos 12.050 euros/m2), Berlim (14.925 euros/m2) ou Roma (15.873 euros/m2).

“Não há dúvida de que Lisboa é hoje uma cidade rejuvenescida, com uma crescente atratividade para turistas e para investidores e com o mercado residencial a funcionar como impulsionador desta nova vida da cidade. Uma oferta qualificada e valores competitivos para uma capital europeia são fatores de atratividade do nosso mercado, que continuará a ser um foco de captação de estrangeiros. Quer isto dizer, que as perspetivas para o crescimento da procura são, de facto, bastante positivas, razão pela qual acreditamos que continuam a existir muitas oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos, especialmente num mercado em que o stock de habitação moderna em zonas centrais, apesar do crescimento forte, continua a ser baixo e é rapidamente escoado”, comentou Patrícia Barão, Head of Residential da JLL.

Também os promotores presentes no encontro concordam que Lisboa se mantém como um mercado ainda reduzido, pois apesar do crescimento registado neste segmento nos últimos três anos, é necessário ter em conta que este era um mercado praticamente inexistente. Pelas mesmas razões, estes players defenderam que este mercado não atravessa nem está perto de uma bolha imobiliária, mas apenas regista uma procura atualmente mais elevada do que a oferta disponível, razão pela qual os preços subiram e o segmento se encontra atualmente a regularizar para patamares ao nível de outras capitais europeias.

Lisboa continua, assim, a ser encarada como um mercado de oportunidades com capacidade para um crescimento sustentável, especialmente na área da reabilitação urbana. No que concerne ao segmento residencial premium, a JLL destacou a necessidade de começar a olhar para novas zonas de desenvolvimento de produtos, como são os casos da Ajuda e Alcântara, Mouraria, Colina de Santana, Almirante Reis e toda a frente Ribeirinha Oriental até ao Parque das Nações. E também os promotores concordaram que é necessário alargar a visão da cidade a novas zonas, tendo em conta a inegável pressão de desenvolvimento de projetos atualmente sentida no centro da cidade, nomeadamente em zonas como a Avenida da Liberdade, Baixa e Chiado.

A JLL reforçou ainda a importância de diversificar para outros setores com potencial para a reabilitação urbana, como são o caso dos escritórios ou as residências especializadas para estudantes ou seniores.

“No setor de escritórios há muita procura de novos espaços no centro de Lisboa, onde nos últimos anos a promoção de novos projetos foi bastante limitada e onde muita da oferta existente se encontrava obsoleta, tendo sido reconvertida para habitação. Por outro lado, também as residências universitárias e para séniores começam a ter muita procura por parte dos investidores, quer na perspetiva de quem pretende desenvolver projetos quer de quem pretende utilizar. São produtos a pensar para o futuro da promoção imobiliária, especialmente nas áreas centrais da cidade”, concluiu Fernando Vasco Costa, Head of Development Solutions da JLL.

Principais conclusões da sessão “Urban Renewal – The Party is here”:
  • Lisboa começou a sentir o movimento de recuperação urbana com maior vigor desde 2012, devido a uma conjugação de fatores que incluem a revisão da lei do arrendamento, os incentivos fiscais à reabilitação, o crescimento do turismo e os programas de captação de investimento estrangeiro.
  • Desde então, a cidade tem assistido a um crescente dinamismo na produção imobiliária centrada na reabilitação de edifícios, com especial enfoque no uso residencial e no segmento premium em zonas centrais.
  • Apesar do crescimento dos três últimos anos em termos de oferta para este segmento (em termos médios anuais, ronda os 20%), Lisboa continua a ser um mercado de pequena dimensão, especialmente se enquadrado numa perspetiva global.
  • O valor médio de comercialização de apartamentos premium situados nas localizações prime de Lisboa situam-se em tornos dos 8.000 euros /m2, bastante abaixo de cidades congéneres europeias como Madrid, Roma ou Berlim, onde os preços para o mesmo tipo de produto chegam a duplicar. 
  • O mercado residencial premium em Lisboa registou uma subida de preços devido ao normal funcionamento resultante de um desequilíbrio entre oferta e procura (há atualmente mais procura do que produto), afastando-se a existência de uma bolha imobiliária.
  • Pelas mesmas razões, os produtos são, na sua maioria, ainda vendidos durante o período de construção. 
  • Atualmente, os portugueses concentram 35% da compra deste tipo de apartamento, contra 65% dos estrangeiros, onde em 2016 pontuaram mais de 30 nacionalidades diferentes. 
  • A oferta está a crescer, mas continuam a ser projetos de pequena dimensão, onde, em média, existem 10 apartamentos por prédio.
  • Lisboa continua a ser um mercado de oportunidades para o desenvolvimento imobiliário, incluindo a emergência das zonas ribeirinhas ocidental e oriental, além da Colina de Santana e Mouraria. A diversificação de segmentos para os escritórios e residências especializadas também podem apresentar boas oportunidades.
  • O Porto é encarado com um mercado natural para a expansão dos promotores de habitação premium, com as primeiras abordagens à cidade já realizadas este ano.

Fonte: JLL