quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

José Santos: Excesso de construção ao Excesso de utilização

Excesso de construção. Há uns anos (2007-2009) assistimos à quantidade construção nova que parecia não ter fim, principalmente fora dos centros das cidades, as paisagens de verde com árvores eram trocadas por gruas, cinzento do betão e laranja do tijolo.

Pelo lado dos promotores as contas eram fáceis de fazer: terrenos mais baratos fora dos centros das cidades pois os existentes nos centros devido à localização e pouca quantidade custavam mais pelo que tornava o produto final mais caro (habitação/escritórios/lojas/etc.), as licenças eram mais rápidas e mais simples, melhores acessos logo mais rápido a sua conclusão, muita procura, entre outros aspetos.

Pelo lado dos compradores as contas também eram fáceis de fazer: claramente preferiam pagar menos por uma casa nova e maior mesmo que essa ficasse a 30 km ou demorasse 2 horas a ir para o seu local de trabalho.

As deslocações não eram postas em causa e a sustentabilidade pouco falada. O marketing agressivo para comprar casa nova era diário e normal. Era fácil comprar uma casa.

Pelo lado dos intermediários (instituições de crédito) as contas ainda mais fáceis eram de fazer: Emprestavam dinheiro baseado em avaliações dos imóveis sem um mínimo de rigor, o risco era quase zero pois se os clientes não pagassem, não havia problema, a instituição de crédito ficava novamente com o imóvel (garantia de incumprimento) já tinham arrecadado uma série de prestações desse mesmo imóvel e como a valorização do imobiliário estava em constante crescimento, a instituição ainda vendia o mesmo imóvel por um valor superior ao que tinha sido inicialmente vendido.