quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Principal mercado de turismo residencial em Portugal atrai compradores de 18 países

Entre início de 2015 e o 1º semestre de 2016, foram 18 as nacionalidades – entre cidadãos africanos, europeus, asiáticos e oriundos do Médio-Oriente - a comprar habitação turística no eixo Albufeira-Loulé, que é o principal mercado de turismo residencial em Portugal.

Os dados divulgados pela Confidencial Imobiliário (Ci), no âmbito da apresentação dos resultados preliminares do novo SIR-Turismo Residencial durante a Conferência Nacional do Turismo Residencial e do Golfe. O SIR-Turismo Residencial é um sistema estatístico que abrange a atividade de compra e venda de imóveis de turismo residencial e que é desenvolvido pela Confidencial Imobiliário em parceria com a APR-Associação Portuguesa de Resorts, com o apoio do Turismo de Portugal.

“Num setor com características únicas, por ser orientado para o uso turístico e vocacionado para a atração de investimento internacional, era determinante uma análise com estatísticas próprias e diversas das que apuramos para o mercado habitacional tradicional. É uma forma decisiva de promover a confiança dos investidores”, comenta Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, sobre o novo sistema estatístico.

De acordo com estes dados preliminares, o eixo constituído pelos concelhos de Albufeira e Loulé é o mercado com maior concentração da oferta de turismo residencial (39% do total reportado), além de ser o que tem a mais longa tradição neste segmento, incluindo em projetos integrados de resorts. Neste eixo, que concentrou também a maior parte das vendas reportadas entre início de 2015 e final do 1º semestre de 2016, a Ci destaca a elevada dispersão da origem dos compradores, sublinhando ainda assim que o Reino Unido, em especial os ingleses e irlandeses, continuam a dominar este mercado, com 64% das aquisições a estrangeiros e o volume médio de investimento mais elevado, nomeadamente de 1,78 milhões de euros por aquisição. O mercado chinês é o segundo mais ativo entre os estrangeiros, com 10% das vendas, mas com um ticket médio de investimento de 778,9 mil euros. Os países do Norte da Europa merecem igualmente destaque – com especial relevo para a França -, com uma quota agregada de 13% nas vendas e um investimento médio de 1,40 milhões de euros. Nesta zona, o valor médio de oferta das moradias de turismo residencial é o mais elevado entre as áreas analisadas, nos 4.870 euros/m2. Os apartamentos apresentam preços médios de oferta nos 3.250 euros/m2.

Nas vendas a estrangeiros, a Ci evidencia ainda o Barlavento Algarvio e o Litoral Alentejano, com pesos de respetivamente 25% e 18% na stock de unidades residenciais em oferta para uso turístico. Em ambas as zonas, são os países do Norte da Europa os mais ativos, com 60% das vendas no conjunto das duas regiões, destacando-se os compradores franceses, com 23% do total. 

Por outro lado, o valor médio por aquisição por estrangeiros é bastante mais baixo, situando-se nos 318 mil euros. Em termos de ticket médio, são os franceses a dominar a região, com compras médias em torno dos 342 mil euros. No Alentejo Litoral, os preços médios de oferta para as moradias de turismo residencial são de 2.480 euros/m2 e para os apartamentos de 3.780 euros/m2. No caso do Barlavento Algarvio, esses valores são de, respetivamente, 3.880 euros/m2 e 2.500 euros/m2.

As duas restantes zonas analisadas pelo SIR com relevância para o turismo residencial são o Sotavento Algarvio, onde os preços médios de oferta estão entre os mais baixos do mercado (2.140 euros/m2 nos apartamentos e 3.120 euros/m2 nas moradias). Esta zona abrange cerca de 8,2% do stock para turismo residencial em oferta. 

A Grande Lisboa (que compreende o contínuo geográfico desde a região Oeste até à Península de Setúbal), tem um peso de 14,2% entre a oferta analisada pelo SIR, apresentando os valores médios de oferta mais elevados do mercado entre os apartamentos (3.870 euros/m2). Nas moradias, o valor ronda os 3.110 euros/m2.

A oferta apurada pelo SIR – Turismo Residencial para o total das regiões no período em análise é repartida entre moradias (53%), lotes (19%) e apartamentos (27%). No total de unidades em venda, 65% está integrada em resorts, um tipo de projeto onde quer as moradias quer os apartamentos em oferta apresentam valores médios mais elevados face ao mesmo tipo de produtos não integrados neste tipo de projeto. 

No caso dos apartamentos, as unidades integradas em resorts apresentam valores médios de oferta de 3.300 euros/m2, comparando com os 3.260 euros/m2 não integrados em resort. No caso das moradias, esse diferencial é mais acentuado, sendo de, respetivamente, 4.680 euros/m2 e 3.410 euros/m2.

Fonte: Ci