segunda-feira, 3 de abril de 2017

Rendas residenciais devem crescer em toda a região EMEA

Pela primeira vez em mais de 12 meses, as rendas residenciais deverão subir em todas as 15 cidades europeias monitorizadas pelo Residential Property Clock EMEA da JLL, um grupo onde se inclui Lisboa.

No Property Clock relativo ao 4º trimestre de 2016, que acompanha o desempenho dos mercados residenciais mais importantes da região EMEA e traça as suas perspetivas de evolução, a JLL dá conta de um crescimento das rendas no curto-prazo transversal a todas as cidades analisadas.

A rápida mudança demográfica e uma maior limitação no acesso à aquisição de casa própria contribuíram para este crescimento das rendas, marcando um contraste acentuado em relação aos 12 meses anteriores, quando cidades como o Dubai ou Paris registavam uma descida nas rendas.

O mercado residencial parece, contudo, ter já atingido o ponto mais baixo do seu ciclo atual, uma vez que apenas o Dubai apresentou uma descida residual das rendas no último trimestre.

Portugal. Lisboa foi uma das cidades a evidenciar subida das rendas no 4º trimestre de 2016, tendência que deverá manter-se a curto-prazo, embora a JLL integre a cidade no grupo de mercados onde é esperada uma desaceleração no ritmo de crescimento. Para Patrícia Barão, Head of Residential da JLL Portugal, “o desequilibrío entre a oferta e a procura de casas para arrendar é atualmente o principal fator para a subida das rendas em Lisboa. Há uma maior abertura da Banca na concessão de crédito à aquisição de casa, opção tradicionalmente preferida pelos portugueses, o que se reflete numa redução da procura para arrendamento por parte dos portugueses, mas que é compensada em parte, pelo aumento da procura por parte dos estrangeiros. Em termos de oferta, a redução é essencialmente devida à preferência por parte dos proprietários na colocação dos seus imóveis no Short Term Rental em detrimento do arrendamento tradicional.”

Paris registou também uma subida de 1,3% das rendas habitacionais ao longo de 2016, depois de um decréscimo de 1,3% no ano anterior. E, face à escassez de nova oferta em pipeline, a previsão da JLL é que as rendas nesta cidade continuem a crescer em níveis semelhantes ao longo deste ano.

Na região EMEA, Dublin é uma das cidades com maior crescimento de rendas e deverá continuar o ritmo intenso de subida este ano, com níveis de valorização elevados, ainda que abaixo dos dois dígitos. O stock de casas disponíveis para arrendamento está em mínimos históricos e as recentes mudanças no regime de Rental Predictability, em dezembro de 2016, poderá empurrar mais senhorios para fora deste mercado, reduzindo ainda mais a oferta.

Entretanto, em Varsóvia, onde o ritmo de crescimento das rendas acelerou de forma constante neste último ano, o aumento foi ainda mais acentuado no 4º trimestre de 2016, com a renda média a subir 3% em relação ao trimestre anterior quer para o segmento de usados quer para a oferta nova.

Philip Wedge-Bernal Residential Research EMEA Analyst na JLL comenta: “O Residential Rental Clock EMEA da JLL oferece um retrato atual dos mercados residenciais mais significativos da região EMEA e ilustra os movimentos das suas rendas no curto prazo”.

“O relógio aponta para uma tendência pan-europeia de subida das rendas habitacionais, que deverá manter-se no curto-prazo. As razões para este comportamento variam de mercado para mercado, mas existem fatores comuns a todas as cidades como a melhoria das condições macroeconómicas e a rápida mudança demográfica”.

“Contudo, o fator mais significativo talvez seja o desequilíbrio crítico que existe entre a procura e a oferta. A tendência de urbanização está a criar pressão populacional nos maiores centros metropolitanos da região. Lamentavelmente, não está a ser construída oferta residencial suficiente para aliviar essa pressão, o que está a causar o crescimento das rendas por toda a região EMEA”.

“Embora a JLL preveja que as rendas vão recuperar em 2017, espera-se também que o ritmo da retoma sofra o impacto da incerteza política e económica. É provável que as eleições em países chave Europeus afete a confiança do mercado, impactando negativamente no crescimento das rendas”.

Fonte: JLL